17.5.06

História e Memória

Eduardo Galeano, escritor uruguaio A história de um país que quer existir "A tragédia se repete, girando como um peão: há cinco séculos, a fabulosa riqueza da Bolívia amaldiçoa os bolivianos, que são os pobres mais pobres da América do Sul. “A Bolívia não existe”: não existe para seus filhos." A análise é do escritor uruguaio Eduardo Galeano e está na Agência Carta Maior. Galeano é um excelente escritor. É autor de um dos maiores clássicos da literatura (engajada?)As Veias Abertas da América Latina, que era livro obrigatório debaixo do braço de milhares de pessoas durante os governos militares do nosso continente. A abordagem história que ele faz nessa crônica publicada pela Carta Capital é perfeita. Como perfeito é o título: História e Memória. Mas acho que faltou uma "atualização" da História. Esse episódio da crise aberta com o Brasil explica a reação do povo boliviano realmente na defesa das reservas de gás do país ou o povo foi manipulado pelo presidente Evo Morales que seguiu a risca as regras ditadas por Hugo Chaves, o novo candidato a Fidel Castro? Que a Bolívia realmente é um país com direito a autodeterminação, nem se discute. Que a Bolívia tem direito a cobrar um preço justo pelas reservas minerais e de gás, também é correto. Que a Petrobrás investiu muito na Bolívia possivelmente com a intenção de pagar um preço irrisório pelo gás, também é verdade. Aumentar o preço do gás, era mais do que direito. Agora será que o Evo Morales se elegeu para realmente fazer o país trocar a produção marginalizada, ilegal, da coca pelo direito ao desenvolvimento mais humanitário ou ele vai apenas servir de "escada" para que Hugo Chaves se torne o líder da América Latina e se perpetue no poder? Eu esperava que Eduardo Galeano, de quem sou fã de carteirinha e que não cita a Petrobrás e nem o Brasil na crônica, pelo menos "atualizasse" seus conceitos sobre o direito de autonomia da Bolívia ou a essa independência atrelada a Venezuela em que Evo Morales se meteu. Esperava mais, Galeano. Esperava mais.

Um comentário:

Tássia N. disse...

Ô, Giácomo! Vi um texto interessantíssimo sobre você no Baianando. O blog da Dênis. Uma amiga em comum. Beijo!