2.3.06

Enfim, 2006 !

Finalmente o carnaval chegou ao fim. E terminou em grande estilo, com o arrastão de Brown e Ivete. Aliás, acho que Brown foi feliz e infeliz no comentário (ou desabafo!) em frente ao camarote 2222 e para Gilberto Gil. Em teoria, ele está certo. As cordas realmente provocam uma espécie de apartheid no carnaval. Mas os cordões (como disse Caetano) sempre existiram. Até as pessoas mais simples e pobres que saíam no carnaval, usavam os cordões como uma maneira de mostrar que aquele era um grupo fechado (familiares ou amigos). A diferença é que não cobravam para isso. Agora com os índices de violência como estão, dá para sair no carnaval sem proteção? Eu não me atrevo. A violência existe por causa das cordas ou as cordas é que provocam a violência? Quem chegou primeiro: o ovo ou a galinha? Na prática, Carlinhos Brown está errado. A Timbalada cobra dos foliões para saírem na Barra nas três noites. É a velha tese do não serve para os outros mas serve para mim? Ele também acertou ao dizer que o problema é educação. A frase mais feliz foi: "Não basta pedir educação nos sete dias de carnaval. O povo tem que educação o ano todo!" Mas há muito tempo a educação não é prioridade no Brasil. E tudo isso não se resolve de um dia para outro. Lembro de uma daquelas frases que a gente aprende durante a adolescência como citação: "Eduque as crianças hoje e não será preciso punir os homens amanhã. Pitágoras" Na pior das hipóteses o destempero verbal de Carlinhos Brown provoca uma boa reflexão para esse período pós-carnaval: queremos um país realmente educado que cobre com propriedade melhores condições de emprego, saúde e educação ou queremos um país exatamente como está, em que é mais fácil estender cordas para separar os que têm e os que nada têm? Feliz 2006.

15 comentários:

Vinicius Factum disse...

Você colocou bem a questão. Aliás, é algo que venho insistindo muito. Tem que se refletir e pensar o carnaval hoje. Não existe espaço para a multidão. Junte-se isso a insatisfação pelo desemprego, a falta de perspectiva no mercado de trabalho, a falta de acesso à educação e a saúde, somados tb com a falta de dinheiro no bolso e doses de álcool. O que dá?
Abs.

Eliana de Morais disse...

Concordo totalmente. Sem educação não há solução. Bjs.

Rose disse...

Giacomo,
O governo te diria: está bom assim.
Uma parcela da população também diria isso. Não porque está bom, mas para exigir mudanças, terá que mudar também, e não estão dispostos, nem tem muitos meios para isso.
A parcela que diz que não está bom,
é a parcela que já tem educação, e cultura.
Acho que as cordas, fictícias, ficarão para sempre.
As outras, quem sabe?

Walter Carrilho disse...

Sobreviveu ao carnaval?

Eu ainda estou procurando alguns neurônios...

abs

Dúvida:O Carlinhos Brown estudou até que série? Ou melhor, em que planeta ele estudou?Pq parte do que ele canta eu não entendo...

Eu devbo ter algum problema...

Barbie disse...

wow, jornalista que escreve bem... raridade excitante nos dias de hoje!!!

Você tem alguma matéria que fale da Barbie? rs

http://pinkart.blogspot.com

aline matos disse...

Olhando do alto, pela tv, nao se ve nem corda nem cor. Apenas a massa encurralada pelos predios e camarotes. De perto, porem, a camisa de 800 reais caminha ao lado da de 9,99 e o tenis de 300 pisa no mesmo chao do chinelo de 7. Parando para pensar: o que eh uma corda entre pessoas que estao separadas por quilometros de reais, dezenas de livros e milhares de oportunidades?
Estamos separados por cordas invisiveis o ano inteiro! E, no final das contas, sejamos francos, temos muito medo de baixarem as cordas e tudo terminar virando uma grande pipoca!

Giacomo disse...

O que é realmente interessante é que todos temos as mesmas visões do problema e temos todos a mesma idéia das soluções.
Somos privilegiados. E, no entanto, sabemos que a necessidade de miséria é tão importante para os políticos quanto um prato de comida é para os miseráveis.
Dão um prato de comida uma vez por ano. E garantem o reinado por 4 anos, entocados num Congresso que só privilegia a eles próprios.
Por que os políticos se interesariam por educação se educação pressupõe crítica, voto consciente e mudanças radicais?
Eu, que realmente acreditei nas mudanças propostas pelo PT, ainda me sinto com cara de palhaço.
Não lembro quem foi, mas alguém disse que não existe direita e esquerda. Existe só a luta do poder pelo poder.
Entre o mar e o rochedo, estamos todos nós!

Rose disse...

Giacomo,
Tem razão em tudo que disse, principalmente sobre esquerda e direita. É a luta pelo poder única, simples e escancarada, mas isso me reporta para uma coisa infelizmente: a maioria do nosso povo é aculturado e mandrião, se satisfaz com quase nada, contanto que não precise trabalhar. Vejo isso diariamente, é lastimável.

Victor Villarpando disse...

De fato a luta do poder pelo poder é o que há :/
Apesar de ser seu o blog, comento hoje sobre outra coisa.

Vim para parabenizar sua esposa, Patrícia, pela excelente atuação na entrevista de hoje com Dom Geraldo Magella.
Especialmente por uma pergunta crítica, rápida e bem pensada!
Após o arcebispo ter falado sobre ação na C.F 2006(tema: inclusão do deficiente), com toda a hipocrisia e falácia características, Patrícia, muito perspicaz, perguntou prontamente por que então, não há rampas para acesso de deficientes nas igrejas.
O homem ficou tooodo atrapalhado!

Meus sinceros parabéns a ela! Como futuro repórter, gostaria muito de ter saques como esses, que reconheço não serem para qualquer um.

Abraço para ambos, desta vez.

Barbie disse...

é muito bom ganhar amiguinhos novos! Também linkei o senhorito, ok? Passe mais vezes pra uma "leitura rosa"!!!
http://pinkart.blogspot.com (propaganda nunca é demais né?)

cristina disse...

É isso mesmo!!!

A eduçacão é o melhor instrumento para desenvolvimento de um país!


:)


Post atento!!!

Santa disse...

Querido Giacomo, que honra a tua visita ao meu blog. Também sou gaúcha, embora more no Recife. Aqui em PE o Carnaval é uma eternidade, no sábado ainda teremos alguns foliões retardatários pelas ladeiras de Olinda.Pessoalmente prefiro passar em uma praia distante.

Um beijo.

Cris Zimermann disse...

Gi, vc voltou! E tem link do BOB aqui!! Que legal!!!

Ando tão enjoada de Carnaval... todo ano a mesma coisa, as mesmas bandas, as muitas muvucas... fica parecendo programa de auditório. Quem está fora quer entrar e quem tá dentro não vê a hora q termine.

Ano eleitoral tb é sempre a mesma coisa, todo mundo fala, fala, fala e por fim só trocam de roupa, o manequim é o mesmo.

E o Pitágoras, tadinho, né, tão velhinho e já sabia das coisas. Mas no Brasil, quem ouve os velhinhos? Velhinho q morreu então, nunca existiu... Educação não se discute, se pratica.

Não sei o tanto de abobrinhas q o Carlinhos Brown falou, mas gente, o cara é fera, como músico ele é muito bom.

Talvez tenha sido mal interpretado, sabe como é, brasileiro adora q vc fale o q ele quer ouvir, se fugir da regra, vc está errado, é grosso, metido, convencido. Puro complexo de inferioridade. Um povo q não sabe se dar ao respeito, q não tem a dimensão de seu poderio, enfim. No meio de tantos carlinhos black, carlinhos brown é rei.

Um Sábado e um Domingo de 48h cada um pra vc ;)

Bjsss

Eliana disse...

Só para registrar: não vi mas soube da entrevista de Patrícia e da pergunta. Parabéns!

Eliana disse...

Também me sinto com cara de palhaça.Não interessa para os políticos a educação, claro, mas nós temos que cobrar cada vez mais,sempre, até no carnaval, pois só um povo educado e com acesso a informação para pressionar o retorno dos nossos impostos em TRABALHO E SERVIÇOS.Beijos.