13.2.06

Antônio Maria

Sugestão de leitura. Antônio Maria é um personagem fantástico. Joaquim Ferreira dos Santos escreve leve, fácil e de uma maneira que prende a gente. Pelo texto do último, vamos conhecendo as aventuras do primeiro. Compositor, cronista, personagem dele mesmo, Antônio Maria deixou frases e crônicas que deveriam sempre estar nos livros didáticos como exemplos de textos saborosos de ler e perfeitos. Você não conhece Antônio Maria? Corra para a banca e compre O Jornal de Antônio Maria. Um exemplo: Mulher dos Outros Dia claro. Primeiras horas do dia claro. Havíamos bebido e procurávamos um café aberto, para uma média, com pão-canoa. Quase todos estavam fechados ou não tinham ainda leite ou pão. Fomos parar em Ipanema, num cafezinho, cujo dono era um português e nos conhecia de nome de notícia. Propôs-nos, em vez de café, um vinho maduro, que recebera de sua terra, "uma terrinha (como disse) ao pé de Braga". Não se recusa um vinho maduro, sejam quais forem as circunstâncias. Aceitamo-lo. Nossa grata homenagem a José Manuel Pereira, que nos deu seu vinho. Nesse café, além de nós, havia um casal, aos beijos. As garrafas vazias (de cerveja) eram quatro sobre a mesa e seis sob. Beijavam-se, bebiam sua cervejinha e voltavam a beijar-se. Não olhavam para nós e pouco estavam ligando para o resto do mundo. Em dado momento, entraram dois rapazes e pediram aguardente no balcão. Ambos disseram palavrões, em voz alta. O casal dos beijos e da cerveja parou com as duas coisas. Outros palavrões e o cabeça do casal protestou: — Pára com isso, que tem senhora aqui! Um dos rapazes dos palavrões: — Não chateia! — Não chateia o quê? Pára com isso agora! Um dos rapazes do palavrão: — E essa mulher é tua mulher? — Não é, mas é mulher de um amigo meu! A briga não foi adiante. Todos rimos. O dono da casa, os rapazes dos palavrões, o casal. Está provado que: quem sai aos beijos com mulher de amigo não tem direito a reclamar coisa alguma. Clique aqui para ler outras crônicas de Antônio Maria.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ele sabia disso como ninguém, tomou Danuza Leão de Samuel Wainer que ainda por cima era o patrão dele! Tem crônicas deliciosas.